ASSINATURA

CURADOR


I

Tu que pediste o meu nome -
Rabisco enfarado,
Vê-me, tão doido e disforme:
As folhas eu rasgo,

Se não lhe dizem as cores
Quem elas já são,
Não deverei ter temores
Na minha omissão,

Só necessitas notar
Qu'existem pessoas
No matinal amainar
De finas garoas,

II

Desejo ter o meu lugar
Escusas montanhas,
Onde ninguém vá censurar
Palavras sacanas,

Os burocratas são palermas,
Sem vida ou paixão,
E eu lhes desejo as tristes perdas
D'um rim, coração,

E não me venham professores,
Uns tolos totais,
Amplificando nossas dores
Com tédios mortais,

III

Pois estas linhas são como dolentes
Sinais que reverberam e depois
Somem como se fossem os presentes
Do Tempo, este que trai-nos sempre, pois,

Não mereces saber meu nome imundo,
E a minha identidade já sumiu,
Mas se vives em ti a Chama do Mundo,
Captura o Sentimento (escapuliu!),

E não importam teus rogos neste dia,
Pois o Final será como uma Faca,
Por isso, qu'entreguemos nossa Vida
Numa delirante ode devotada!

IV

Agora erguemo-nos como um tufão,
Tingindo o rosa, as morosas manhãs,
E na Esmeralda, uma essência que não
Se findará nos revela anciães

Contando seus numerosos segredos,
D'estranhos reinos, histórias douradas
Sejam mercúrios, sais ou nigredos,
Abstraímos as suas palavras,

Lembrando coisas que nunca existiram,
Vendo momentos de voos etéricos,
Assim fugimos de planos que riram
E censuraram prazeres feéricos,

V

E desta maneira pretendo assinar
Somente no peito sedento daquele
Qu'almeja a Beleza encontrar e provar,
Temendo jamais punições ou deveres,

Pois quando deseja o sujeito presentes
E glórias e mundos ainda por vir,
Em auro s'acendem os dons imanentes,
Guiando-o pelo caminho a surgir!

Que seja de cor encarnada esta linha,
Que seja de cor bem escura esta tinta,
Que seja visível a tela faminta,
Que seja rebelde a Palavra que pinta!


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