CRISÁLIDA IV

CURADOR


Eu receio saber que sou ruína,
Que ressoa meu nome no Invisível,
Que serei nada mais que Eco risível
Preso numa mentira longa, infinda.
Eu receio saber que desatina
No meu peito um Abismo nascituro
Que corrompe os vislumbres do Futuro,
A escurecer o Céu em repouso acima.
Este perverso Campo desolado
De formas que fugiram de outro Mundo
Será talvez por mim um dia habitado
Porque esta minha angústia é algo profundo,
Este meu male não será curado,
Não se fará em Verbo áureo e jucundo.


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