O RETORNO

CURADOR


Pois depois de vagar pelo oceano,
Retorna glorioso e alto decano
De arriscada aventura perigosa
Mesclada com a Morte pavorosa.
Meu nome pelas ruas ressoando,
Clarins carmesins cantam, versejando
Esta vida de tensas ocorrências,
Negando dos videntes inferências
De qu'eu precisaria servir à grei,
E quem é este? Jamais descobrirei,
Talvez seja fracote mui senil,
Vulto sem qualquer verve varonil.
Agora minhas noites atravesso
Provando deste absinto e deste verso,
E se cessei o adentrar em turbilhões,
Conheço, embriagado, esses rincões
Até então inexplorados pelos doutos,
Os que só leem prosas, reais contos;
E se não sou um monarca de terrestres
Reinos, dados me foram os celestes
Portentos e os cetros eternais:
E, independentemente dos finais
Que tenham governantes da matéria,
Eis-me, Rei de Nação vaga e sidérea!


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