UM EXPLORADOR?

CURADOR


De Curador chamei-me noutros dias, Mas termo destes não faz mesmo jus À incerteza presente no que aqui Eu me sinto incumbido de fazer. O que é um Curador senão sujeito Cuja grande frieza que possui, Cuja inteleção mais aguçada, Permite que organize o Mundo inteiro? Certíssimo de quem é e do que faz, Entrega-se às análises constantes, Razoável e centrado, e então realiza A criação de estantes; carpinteiro Se torna, e em tais estantes recoloca Tomos de cores, temas específicos (Não aceita o que não presta e também não Aceita o que não pode-se guardar) Em classificações rígidas como Se fossem todas feitas de metal, E não de argila como são de fato, Aceitando quaisquer as mutações. Isto faz-me figura assim soturna, Uma que ajeita os óculos nos quais Reflete-se a luz fria da fria Ordem E de tal reflexão retira o Orgulho. Talvez isto que digo seja equívoco, Mas mesmo assim transmite-se esta imagem Moderna e imaculada de sujeito Que nutre-se da própria quietude. Sinto dizer, mas não sou este sujeito, E tal comportamento não pertence-me. Eu sou coisa distinta, cujo nome Recorda Curador somente em som. Considero-me, então, um Explorador: Aquele que, sem medo, sem receios Lança-se no imprevisto, no além-mundo, Multicor labirinto que, no entanto, Mão se conforma mesmo em forma alguma, Preferindo caminhos que não dão Neste local ou naquele, mas prosseguem Desempedidos - já são os obstáculos. Não assusto-me, porém, com tal local; Antes sua presença muito incerta, Que o Claustro destes seus potenciais Neste Aço que consigo conceber.

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