A FUNÇÃO DE MINHA PENA

MARTINS REX


Minha pena servia para Guerras,
E p'ra Guerras inda serve (sou sincero),
Espero que tu entendas - mesmo, espero,
Pois só Guerras abalam esta Terra!

Novamente repito o que já disse:
O conflito se trata de afirmar-se
E também revidar nesta outra face
De quem a aporrinhar-te então persiste!

Recordo-me das Noites que perdi
Sob os raios lunares inconstantes,
Torturava-me a todos os instantes
Por cousas que, de fato, não pedi.

Desamparado como me encontrava,
Ferido por punhal - fatal Passado! -,
Eu pensava que havia algo de errado
E da gélida Morte bati a aldrava;

No entanto, apercebi-me da Verdade
Quando a Noite sumiu, e em seu lugar
Surgiu Multipotente Sol; raiar
Trouxe a meus Pensamentos Claridade.

Por que, neste jardim (são só cicutas)
Eu queria plantar a minha Essência?
Prostituir a Lira, e a Decadência
Promover, ser amável - só desculpas?

Por que mover céus, terra e tudo o mais
Só por um resultado natimorto;
Por que tornar o fio da Espada torto
P'ra agradar repulsivos animais?

Essas grotescas feras salivantes!
Feras co'estranhos dentes de Metal,
Personificações de todo o Mal,
Supostamente Luz - mas são farsantes;

Estão movimentando suas mandíbulas,
Assaz desconfortáveis - pois tem Fome,
Atacam quem se cansa, deita e dorme,
Mas constatar podemos: são ridículas:

Acomodam-se em Tronos inventados!
Dão-se títulos vagos de Nobreza!
Imperadores-vultos, realeza
Entre os tolos, são tolos mal-amados!

Porém, Leitor, acalma-te, meu amigo;
Sei que queres saber como matá-las,
Só precisas, enfim, abandoná-las,
E elas mesmas se dão cabo (e eu não ligo.)

Dizem também que sou dessas criaturas!
Por chamar-me de Rei, ser tão egocêntrico;
Desculpa-me: sou apenas ser concêntrico
Alguém que quer provar Glórias futuras!


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