AMALDIÇOANDO

MARTINS REX


Não apagarás meu Fogo! Sei que tentas
Mas estas tentativas são fadadas
A morrerem abstratas neste Nada;
Não enfrentas qualquer outro - tu me enfrentas!

Diferente de ti, Medo não tenho
De sujar minhas mãos talvez de Sangue,
Pois já subi nos ombros de gigantes
E adestrei-os audaz! Vi, venci, venho.

O que falar de mero e fraco verme?
Desprovido de Ardor, de Força e Vida,
O que falar de ser cuja partida
Seria irrelevante; não te teme

Ninguém cá vê-te além de alívio cômico,
O róseo brilho que há no Alvorecer,
Promessa de Sol ardente inda a s'erguer
Ou até mesmo o capricho mais ctônico

Das mais secretas terras, mais sombrias
Lugares no distante situados,
Nem mesmo estes desejam-te - tu és fardo
Cujo lugar, de fato, é entre vadias!

Percebes que meu Verbo está repleto
De raivas venenosas e mortais!
Eis com quem queres briga. Muito mais
Tenho p'ra exterminar-te - sujo inseto!

O que desejas nunca vais obter!
Ainda que tu estejas obcecado,
Cada passo que dás é estulto, errado,
Resultado? Afastar-se do Poder.

E estas riquezas muito esmeraldinas
Um mar de joias - prados verdejantes -
Estas a quem ofertam os instantes,
Gananciosos como ti exterminam!

Entendes bem agora do que falo?
Entendes que esta lâmina de rubro
Tingir-se-á (Ou não! Quem sabe descubro
Que és barata - não tens sangue! - esmagá-lo

Funcionaria, fato, mas sem graça
Seria morte dessas para ti,
Dói muito, mas veloz é; foi o que li -
Mui melhor enforcar-te numa praça!)

Não temes punições, achas-te certo?
Pois queimo-te aos olhos desta História;
O nome de miúdas letras Glória
Nunca alcança; não basta ser esperto

Se não és nada em constraste co'o Leão
Que é quem te dirige estas ofensas,
P'ra sepultar manias tão pretensas
E confinar teu corpo num Caixão!

Porém inda não basta e sei bem disso,
E necessárias fazem-se medidas,
Um pouco mais extremas e aguerridas,
Caso contrário não tira-se o lixo;

Ouviste sobre Apolo? Da Poesia
Deus; também da Beleza, Harmonia, Cura,
E como deus da Cura, a praga impura
Infligir também pode à pessoa ímpia!

As flechas que convocam gafanhotos
Contra ti se retesam; não errará
Ele quando quiser-te fulminar
P'ra tornar este corpo teu mais roto!

Não sabias de quem eu era devoto?
Então vais descobrir da pior forma;
Pois o Sol Metafísico é quem torna
Em escaldante brasa a Terra morna!


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