CONTRA SENHORES

MARTINS REX


Minha Pena movi contra Senhores
Tanto antes como faço bem agora!
Para mim inexiste ruim Hora:
No archote a clara Chama exalta as Cores!

Pensavas muito em termos de aliados!
Unia-te co'os outros governantes;
E não era nada estranho aos tais palanques
Que servem de patíbulos aos Bardos!

É verdade: escondi-me nas Penumbras
Por temer o severo Julgamento,
Assisti certa Aurora em desalento
E assisti-lhe os finais; viveu nenhuma.

Nos céus o Âmbar mui tênue se tornava,
Pois Nuvens o Princípio encobriam,
E nestas nossas Almas, recobriam
As Essências; deixavam de ser Lava,

Deixavam de ser Fontes, Labaredas,
As notas de Canções altas, etéreas,
E os Senhores de Estados, de Matérias
Enchiam-se de Glórias e de Sedas...

Sujeitos tais, é claro, nunca foram
Sujeitos mesmo em nada Sobranceiros,
Nunca tiveram Ímpetos guerreiros,
Nunca estarão na História (inda que morram),

Mas eu fui aos desertos da Existência,
Caminhei sob azul Céu incandescente,
(Um só no Pensamento persistente)
E foi-me restaurada a Consciência;

Olhei p'ra quem segui, lá no Passado
Aquelas tolas feras tão metálicas;
São imensamente estúpidas e fálicas,
Como seres, são seres assaz fracos;

Então, movi esta pena contra uns Outros
Que não são metafóricos e vagos,
Falo daqueles cujos meros Atos
Concede-lhes a pecha de mui tolos;

Quantas aspirações e quão sublimes!
Ao Infinito elas tendem, às Alturas!
Mas faltam-lhes verbais desenvolturas
Para encobrir as ânsias e esses crimes...

Aceitação não mesmo me interessa!
Num meio de medíocres empolados,
Abaixo haverá gente, não nos lados
Cuja tolice estampa-se na testa;

E como disse noutro poeminha,
Prostituir a Lira nunca irei;
Irei tornar-me Deus, e mui bem sei
Que no Final a Vitória será minha!

Então quero a Coroa com seus Louros!
Quero um Trono adornado c'Ouro e Prata,
(Servir-me-ás, serpente, e serás grata)
Quando eu me consagrar senhor dos Loucos!


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