O CORAÇÃO

MARTINS REX


O Coração tem ânsias vespertinas!
Uma Fogueira acesa eternamente;
E mesmo quando abala-se, doente,
Inda sua carmim árvore germina!

O Coração deseja se elevar
Acima deste Todo conquistado!
Seu Impulso está correto, não errado;
Basta-lhe ousar Asas p'ra voar!

O Coração não teme represálias,
E como poderia? Se deseja
Ser aquele arrebol que enfim dardeja
E restaura as batidas nas mortalhas?

Tenho de confessar-te que meu Ódio
Vai às negras profundezas mais secretas;
Mas lembra o Coração que são corretas
Estas Dualidades (Ou ama-o ou explode-o!)

O coração deseja tão arduamente
Resguardar este Forte da Vontade;
E o Coração suspeito deste Vate,
Com Ardor, em Missões é persistente;

E mesmo que o Passado seja Inferno
Das Forjas mais cruéis e depravadas,
Lançando um brilho púrpura em escadas
Que ao cadafalso levam; é mui terno

Mesmo um Raio de luz tão transitório;
Que passar pode rápido, mas deixa
Coragem - e p'ra longe leva queixas;
É a roda e um movimento rotatório!

Então soem meus passos neste chão!
Não sou de outro Poeta estes tais vultos,
Rompi minhas correntes; e aos estultos
Jamais estenderei de novo a Mão;

Eles merecem nada senão Guerra
Traidores de punhal em punho sempre!
Partidários da Paz dizem: não enfrente
Aqueles que pretendem domar Fera!

(Mas a Fera não busca ser toldada;
E preferirá lutar a ser escrava!)

A paisagem dos campos florescentes,
E dos azuis sidéreos, dos portões?
Elucubrações tolas e visões
Distantes destes corpos putrescentes;

Por isso, Coração, voa como Águia
Teus afiados olhos sabem tudo!
Purifica com Fogo o Mundo imundo!
E molda em Soberano um qualquer Pária!

Encarnado co'a Báquica Loucura
E co'a Fúria Apolínea, supera
O Esforço de qualquer tolo ou megera
E avança como bala até a futura

Era pela qual luto com anseios
De que se descongelem estes rios,
(Mas confesso: aprecio climas frios)
Para que sejam rubros os seus veios!


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