O RETORNO (IN)ESPERADO

MARTINS REX


Para mostrar a vós que continuo
Com o Verbo afiado e penetrante,
Com a Força brilhante e incinerante,
Quebro o silêncio, faço odes a tudo;

Sei bem que vós sentistes minha falta!
Um ser enraivecido até os tutatnos,
Maior e mais sublime dos decanos,
Um diabo, um satã; mas só um peralta!

Sei bem que contemplais o manto escuro
Cravejado de estrelas inconstantes,
Pois cobiçáveis brilhos radiantes
De mim, Sol do Passado e do Futuro!

Sei bem que desejais ouvir os címbalos
De mil canções douradas, poderosas,
Sei bem que desejais cultivar rosas
Do céu profundo e azul; perfeito signo!

(Este símbolo não é de Paragon,
É de Novalis; digo em mui bom som!)

Sei que vós ansiais pelo vigor
Desta Beleza etérea das subidas,
Mas também ansiais pelas descidas
De um quase-iniciático terror!

Saibais que retornei, bem como a Luz
E o Calor que tortura o diamante,
Continuo a ser Rei destes instantes,
Meu áureo cetro comanda; a jóia aduz.

Pois quero vos provar: não sou covarde!
E laboro numa obra que é ciclópica,
De naturezas duplas: Moderna e Órfica,
Para somar-me pompa e majestade!

Por isso, não deveis vos preocupar
Com este meu silêncio, meu sumiço,
Minha lira dardeja prata e viço,
Do elusivo Lugar eu vou tornar!

Antes de terminar este poema,
Queria vos cantar outras estrofes
Estas são vinho; bebam, botem os bofes,
Mudarei sutilmente - eis outro tema:

Sabeis perfeitamente que entre os três
Poetas desta pátria desolada
De Aldernea, sou quem carrega a espada
Para obter respostas, não porquês;

Um partidário louco da violência,
Da abstrata trincheira da batalha,
O mais pretenso Louco, que trabalha
Para causar nas Almas insurgências;

Este sujeito - ou seja - quem vos canta,
Cria com cafeína e co'a certeza
Que abaterá qualquer pretensa preza,
E triunfará sobre os sacripantas!


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