UM BARDO
MARTINS REX
E pela vastidão chorou sem fim
A espécime patética de Bardo!
Tal julgemnto falho foi seu Fardo
Este não distinguia Bom, Ruim...
Pensou em instante breve que esses Brilhos
E estas celestes vestes - a Pureza! -
Que um Caráter bem fraco, e tal fraqueza
Fosse tão comum traço desses filhos
Cujas mentes supérfluas e estranhas
Eram supostamente amáveis traços;
O Bardo então humilhou-se em tristes trapos
E xingou seus Irmãos em Obra santa!
Pois a sociedade o relegava
A vagar nestes bandos de animais
Que habitam profundezas florestais
E beiços lambem quando carne é achada;
Este Bardo tornou-se, então, servil!
Um sujeito bem dado às choradeiras,
E evitou, deste modo, as derradeiras
Evidências: de tolo bem serviu.
Seu coração vivaz, antes Rubi,
Onde o Ímpeto dançava em labaredas,
E onde a Vontade armava planos, tendas
Tornou-se uma bobagem que sorri!
E este Bardo entregou-se ao melodrama!
Co'a Pena redigindo Frases doces;
Isto é inacreditável p'ra quem Coices
Costumava aplicar co'a Alma em chamas!
Que criatura fraca e sorumbática
Vagando por aí como um cachorro!
Acometeu-lhe muitas vezes choro
Queria ser pessoa mais simpática!
Foi por isso que vim! Para mudar
O Espírito no estado em que jazia;
Pois quanto mais Bobagem se escrevia
Mais ele mergulhava em mau Lugar;
Eis que surgi em metálica armadura!
Minha Coroa? Chifres de carneiro!
Eis que surgi em momento derradeiro
P'ra corrigir-lhe a fraca compostura!
Primeiro, dei-lhe um tapa dolorido
Na cara, e confisquei-lhe a doce Lira;
Ele como tirano, então, me vira
Até que lhe expliquei estes meus motivos
"Primeiramente, Bardo, vai e te apruma!
Não tolero que estejas neste estado:
Lembra-te do porquê viraste Bardo?
P'ra fazer rescindir a vil Penumbra?
Não vês que já está morto o Romantismo?
Sepultado em comum e oculta vala;
Ou seja: por Amor não mais se impala,
Se lamenta ou se tem Paroxismo!
Não vês que não és doce de pessoa?
Que és teimoso e irascível como a mula?
Que és alguém que retalha e muito luta
Quando de tolo chamam-te, de 'à toa'?
Ao menos este é tu! Moldado foste
Pelos cruéis senhores deste Mundo!
Não tentes ser um outro outro segundo!
Levanta a Pena em Glória (a Pena é Foice);
E para co'exageros, desesperos!
Escrever estas coisas gasta Tempo;
Não aumenta o cancioneiro do Lamento;
Registra teus Triunfos, vence o Medo!
E não abaixa a cabeça p'ra esses fracos
Inda que em superfície eles pareçam
Sujeitos que melhor sentem e pensam;
E a teu sublime ofício sê mui grato!
E se não conseguires evitar
Sentir tais sentimentos - sentir mais! -
Vira um Adversário - Satanás -
P'ra Cruz da Complacência sepultar!"
Assim, lhe devolvi tão boa Lira;
E ele me agradeceu! Revigorado,
Mudou o tema daquilo antes cantado
Aquele amor meloso tornou-se Ira!