UM DESEJO
MARTINS REX
Um só desejo tenho, um forte instinto
De fazer este Mundo se alterar;
Para isto é que devo guerrear -
Desta renovação estou faminto!
Agucei meu punhal já muitas vezes,
E hasteei uma bandeira rubro-negra,
Aparei o mortal golpe de quem cega
Os outros pelo Credo - todos esses!;
Em todos os lugares em que piso,
Nas múltiplas estrelas deste céu,
Provoco loucos brados! Escarcéu,
Flamejante furor unido ao Riso!
E achas tu que detenho-me só nisto?
Que meu Ímpeto se finda, tem limites?
Não! E seja pelo Verbo ou Dinamites
O Triunfo procuro e nele insisto!
Eu conheço estas vias sinistrais,
O caminho secreto da Mão Esquerda! -
Aquele que ocasiona total perda
Dos aços deste anelo, aços mentais!
Diferente do nobre decadente,
(Que tenho em alta conta - Paragon)
Eu sou de Ossos e Carne; ouça este som
Dos Versos de nossa Era incipiente!
Uma Era que se impõe sobre esta antiga!
E, vigorosa, valsa nas ruínas
Uma Era de Esperanças assassinas,
De quem quer Liberdade - então me siga;
A todos os poetas cujas Penas
Estiveram atadas tristemente,
Ergue tuas asas, voa e sê presente
No dia decisivo, a fatal Cena
Onde o Sol que se vende tão perfeito
Há-de cair do Céu e por fim sumir,
De seu cadáver podre irá surgir
O Alvorecer Azul - sacro, refeito!
Tu imaginas-te entrando pela Porta
Com loucos pontapés endiabrados?
Punindo estes estúpidos sagrados
A quem a Prisão fria e inerte importa?
Pois Loucura queremos! Festejar
Sobre o concreto e as vigas da Bastilha!
No país virtual erguer uma ilha
Onde incida a azul luz noutro lugar!
Aqui somos mais livres - tu percebes!
Criamos mais perfeitos Artificios!
E filósofos, deuses estrupícios
Superamos, prolíficos, com verve!
Um pino, enfim, derruba vários outros
No mundo e nesta pista de Boliche;
O Imperador mergulha em fundo piche
De sua velha garganta sai som rouco:
"Por que termina assim para meu tipo?
Afinal nunca tive trono e cetro!
Eu digo: "tu estás mesmo muito certo"
Mas de pseudo-lorde, idem, me livro;
É claro que tu deves entender,
Meu leitor a quem ser posso retórico:
Meu ódio a estas figuras é gongórico
Porém isto prometo esclarecer:
Quem pela Autoridade se foder
A estas mesmas dirá: vá-te foder!
Agora compreendes o que digo?
A Desilusão aqui age como um Ópio:
Pois aqule que tem certo amor próprio
Não aceitará este jugo: "só a mim sigo".