ESCOLHAS PERIGOSAS
FRATER PARAGON
Reconheço: não fiz estas escolhas
Embasadas na Mente e no Intelecto;
Vi-me em iridescentes, vagas bolhas
Onde tudo por fora era tão incerto...
Lá dentro, acreditei de mim ser dono,
Total Lorde e Regente; assumidade!
Olha tu como fui enganado e como
Menti que não sabia da Verdade...
Eu, que nunca hesitei em navegar mares
Corroídos, cinzentos, mortais, plúmbeos!
Ora vi-me encantado por cantares
Nos clarins de azuis ondas - vem, escuta-os...
Tão belos que soavam, não quis mais
Realmente singrar nas profundezas,
Achei-me seduzido por mortais
Torrentes de Instrumentos, de Belezas...
Uma vez que se prende simples Alma
Acorrentada às Ondas que surgiram,
Avulta-se uma estranha, cruel Calma
Tentando-nos partir como partiram...
Uma incorreta nota, simplesmente
Agiu e trouxe Razão ao Coração:
"Como tu vais agora, vais de frente
Ao Abismo, por seguir tal direção..."
Olhei-me: reparei que estava certa!
E rumava a tal Bolha para o Fim;
Não eram belos mares; fiquei alerta
Gastei toda minha Força, mas enfim
Abri um rombo na Cela que prendia
No seu interior minha tola Mente;
Agi co'as ferramentas que podia
Retalhei os intrumentos; fui descrente.
Ás carrego na manga; e já conheço
Sorrateira arapuca p'ra prender;
Não sobrará Passado - este eu arrefeço
Até enfim renascer o meu Poder.
Olha profundamente pr'a estas Águas
Mesmo que tu navegues bem tranquilo;
A vastidão contém em si mil mágoas
Infernais, que recordam misseis, silos;
Sábio seria, então, sobrevoá-las.