O FRUTO
FRATER PARAGON
A terra vasta torna-se fecunda?
"Mas o que gesta?" eis a única pergunta.
Pergunta que se fazem corajosos,
Quando encaram abismos temerosos,
Habitados por seres rastejantes,
De Espelhos, de Fantasmas dos Instantes,
De Pensamentos loucos ocultados
Por tempo muito; enfim são revelados,
E elevam-se nos ares como gotas
Rubras de sangue - incitam bancarrotas
Das faculdades nossas que portamos
E cuidadosamente cultivamos.
"O que gesta?", respondo-te já agora
E o fruto que o Mal espalha, o Bem penhora,
É o fruto que propele o São à Loucura,
E faz com que se enterre em terra escura.
É o fruto que ondas temem, agitadas
Que ceifar ameaça as Alvoradas,
Sombrio e ruinoso e petulante!
Queimando em roxo, em Púrpura gritante;
O que agora fazer? Tu te questionas,
A mudança trazer tu já ambicionas,
Preservando este Sol e os oceanos,
Guardando o que, em peleja, conquistamos.
Então ergue tua Mão, quebra o Silêncio!
(Se dele precisares, só vai e pense-o)
E faz o que jamais antes fizeste:
Permite-te sentir que nada é teste,
E sente, então, este Amor que lá te espera
Por ele vira um Louco e vira Fera,
E vira um Criminoso, se preciso,
E torna-te ou rugoso ou leve ou liso,
Assumindo as tais fpr,as que precisas,
E muitas tu já tens, Vitória visas
Através do que é Múltiplo e Sagrado.
Vences o Fruto; não estás certo ou errado.
Mas estás, sim, além disso aqui tudo:
Sentado, enfim, no trono astral do Mundo