SOCIEDADE DE MÁSCARAS

FRATER PARAGON


Vivemos em tão horrível sociedade
Onde usam todos todos paramentos,
Não se sabe nem mais qual a verdade
De iras, suspiros, cantos ou lamentos...

Todos dançam, têm máscaras - é baile
Infinito de danças infinitas,
Nada fale, deseje e nunca falhe,
Não pare de dançar danças malditas...

E neste coração meu, arlequinal,
Num caminho mutável já esbatido,
Por vezes p'ra mim tomo o Bem, o Mal,
Mas eles dois não são mais que ruído...

Alguns Palhaços loucos, choram, vertem
Aquilo que está oculto e reprimido,
Outros, azuis, vermelhos, nos divertem -
São efusivos, alegres, divertidos...

Mas aqui, bem debaixo desta face
Na qual sempre gargalho, sempre rio,
Sinto-me nulo, nada, mero traste,
Preso em face esculpida em mármor frio...

Por isso mesmo temem o Palhaço,
Com insanas, mortais acrobacias,
Temem quando ele faz estardalhaços
E depois ganha rosas e honrarias...

Como exemplo, já vários papéis tive,
E desempenho muitos muito bem,
Mas não finjo o furor! Não finjo, vide,
E posso muito bem levá-lo além!

Joguem em mim confetes ou tomates,
E liberem aplausos ou vãs vaias,
Será que vencerei, será que empates
Terei? Não sei! Mas danço na navalha!

A toda e qualquer coisa a Indiferença,
Sem querer se alterar tão de repente,
Toda máscara tende a ser mui densa,
Todo que mente mente que não sente!


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