UMA BUSCA

FRATER PARAGON


Por espelhos, cadeias, eremitas
Estão em compenetrada, antiga busca:
Procuram pela joia desses dias,
Procuram pela coisa que se ofusca;

Eles são peregrinos de uma terra
Guardada por inúmeros portões,
Daquilo que persiste, mesmo em guerra,
E se buscam, também são guardiões...

Quantos sonhos repousam em seus peitos!
Quantas mágoas, suspiros já de outrora!
Quantas vezes não foram, pois, refeitos
Em mármore, em calcário; em barro agora?

O que lhes permanece das essências,
Senão, talvez, os anjos impossíveis
Que guiavam-lhes nas práticas ciências,
Anjos secretos, meigos, impassíveis?

Mas escondem a grandeza que possuem
E preferem untar-se n'alguns trapos,
Nunca senão na Morte eles se assumem,
Revelando-se, enfim, abrilhantados...

Pois a sina de alguns é descontento
E outra vez desejar quebrar espelhos,
Uma busca! Estar sempre em movimento,
Até alcançar um vago escaravelho!

E isto transcende os ares da nobreza,
Pois existe em silêncio outro poder,
A calma, a mais perfeita das certezas:
Que se é o que é no correto vir a ser...

E pois que procuremos os segredos
De searas que foram arrefecidas,
Mudemos o roteiro e a fala e o enredo
Fazendo de miráculos partidas!


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