UMA TAREFA
FRATER PARAGON
Uma tarefa assaz inesperada
É esta que realizo neste instante;
Desta Árvore d'ideias Alvorada
Nasce - tamanho o brilho que é constante.
Para quem devassou estas abissais
E tão azuis profundezas ocêanicas,
Para quem procurou sempre por mais
Conhecimento - em brumas tão tirânicas...
Sabes que buscador sou pelos mundos
E distinto de Rex, guerra não quero;
Quero apenas rumar ao mais profundo
Insondável e sublime Mistério...
Retalhem as Vidranças, tão somente
Uma ousada barreira entre os anseios;
Chama-me obcecado - porém crente
Estou de que conheço abaixo os veios...
Há muito que presente jaz em cantos
Além desses sentidos ordinários...
Não são físicas Joias (por enquanto)
Estão em confins de Reino imaginário...
Está tarefa aqui, digo-te então
Consiste em sepultar um vão Passado,
Um que apenas corrói satisfação
E o Visionário dorme, aprisionado...
Eu sei, colega meu, de tuas angústias
(E sei bem delas pois também as tenho,)
Mas aquele que é sábio enfim reduze-as
E para auxiliar-te é que aqui venho!
O que o Curador dada vez me disse
De forma desleixada - deixo claro -
É que o prazer supremo nisto existe,
No Ato Criador - ato mui elevado;
Aos pretensos Monarcas produz sátiras,
E tenta traduzir o intraduzível,
Habitua-te à Força que é esta prática
E faz falhar sistema vão, infalível;
O sangue de teus dedos laborando
Não p'ra qualquer senhor, mas para ti
Sagnrará no degrau que irás galgando
Até a fonte sublime; de lá, ri!
E se quiseres tanto criticar
(Como faço por vezes - não estou isento)
Sujeitos a quem quer-se destroçar
Faça à luz d'uma Vela no Silêncio.
Enquanto toda carne então perece
E todo ser que é vivo se sepulta,
O Verbo feito eterno permanece
Como Farol - ninguém há que o reduza.
Então: que outra tarefa realizo?
Isto não respondi nestas estrofes,
Em pomposa eloquência cristalizo
Pensamentos - até botar os bofes;
Ao menos tenho tempo que é de sobra,
A morar na grande Àrvore, essas horas
Assemelham-se àquela mesma Cobra
Que o próprio rabo morde - ciclo, História;
Mas se tudo são ciclos, a Vontade
Assim também nos surge - em movimentos
Que nos bastam - ou talvez insaciedade
Espalham desde aqui aos quatro Ventos!