UM SONHO

FRATER PARAGON


Eu tive um sonho que não foi no sono,
Um sonho de riquezas, belas pratas,
Sonhei tão longamente (não sei como),
Descendo as invisíveis cataratas;
Não lembro de meu barco ou montaria,
Ou do azul-róseo sobre escuros céus,
Não lembro do que fiz ou que faria,
De estelares lençóis não lembro os véus.
Mas lembro desta Noite negra erguida
Ciclópica estrutura cupular,
E lembro da Manhã, dourada vinda,
Tingindo de impossível este lugar.
Talvez, quando deitemos numa cama,
Seja este sonho a memória que nos chama.


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