A BORBOLETA I
ALEXANDER STAJMEVIT
Aprecio observar a natureza
E gosto, nestas minhas caminhadas,
De prestar atenção a plantas, insetos
Que aos outros são invisíveis.
Deparo-me, por vezes, com surpresas:
Petulantes formigas que roubaram
Para si asas; não seguem mais rainhas
E ambicionam chegar no topo ilustre
De arranha-céus cruéis.
Deparei-me também com vaga-lumes
De impressionantes cores, vivas luzes
Perdendo-se entre as árvores, raízes
E sumindo; inexistem.
Encontrei árvores tortas que serviam
Como frestas por onde vultos veem
Aquilo que acontece ao externo mundo
E temem-me ao passar, pois sabem que eu
Não tenho paciência p'ra tratá-los
Como seres translúcidos que são.
Revolto-me e torturo-os.
Considero estes hábitos de tempos
E nunca antes mudei-os; não sentia
Necessidade alguma de intervir
E uma mudança impor.
Porém, sinto meus olhos vislumbrando
Em meio ao sutil verde destes campos,
Na relva que recobre-lhe este corpo
Estranha imperfeição.
Recordo-me das vistas já de outrora
Esta não estava lá; não estava mesmo
Assim, em mim floresce objetivo
De corrigir agora
Este erro p'ra que finde-se por fim.
Contra o que estou lutando? Então, examino
Entre o mato se encontra borboleta
Assaz rudimentar.