A BORBOLETA II

ALEXANDER STAJMEVIT


Observei-a atento p'ra saber
Seus hábitos tão sacros, preciosos,
A razão pela qual padrões não tinha
Impressos em suas asas.

Seria obra de artista petulante?
Pois artificial era - era feita
De diferentes partes, de contornos
Angulares e rudes

Que asco me provocaram, eu não nego.
Sob este céu tão límpido, podia
Existir criatura tão perversa
E bem escandalosa?

Tenho conhecimentos muito rasos
Sobre estas borboletas - eu confesso.
Elas, porém, diferem das cigarras:
Não são nada estridentes.

Queria um bisturi
Ou qualquer instrumento p'ra encontrar
Quais orgãos produziam esses sons
Os robóticos guinchos de uns autômatos,

Mas seria difícil capturá-la
Evasiva do modo que portava-se.
Quando eu sequer pensava em segurá-la.
Fiquei na moita, então

Procurando o momento necessário
Para capturá-la, pois comprei
Um peculiar item, uma rede
Chamada de puçá.

E tentei efetuar a captura;
Porém, os sons tornaram-se mais fortes,
Ritmos desagradáveis totalmente
Repletos de artifícios.

A trama desta rede se rompeu
E a borboleta estranha viu-se livre
Para atormentar todos seres vivos
Com seus cruéis ruídos.

Olhei-me refletido lá num lago.
A superfície instável se alterava
Mostrando-me verdade - eu já sabia:
Precisava matá-la.


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