A BORBOLETA IV
ALEXANDER STAJMEVIT
Nos campos novamente com as flechas
Retesadas num arco de igual Cor
A que elas exibiam - claro azul
Eu esperava, ansioso.
Ela nunca escondera sua presença
Destes atentos olhos que possuo;
Na verdade, mostrava-se excessiva
Jamais buscando a sombra.
Algo que parecia a natureza,
Algo que recordava borboletas
Algo que não era mesmo nenhum destes
Complexos elementos.
Numa moita embrenhei-me, suficiente,
Os ruídos tornaram-se mais altos;
Será que desjava me irritar
Com aquele absurdo?
Mas não podia ver-me. Tentativa
Inútil era aquela de querer
Prever-me os movimentos. Não sabia
Que eu era um Escorpião,
E minhas ferroadas se encontravam
Preparadas p'ro ataque - finalmente!
A primeira das flechas liberei
Esta não viu limites - acertou-a;
Por um momento, torpe, ela tombou
A sua asa direita avariada.
Não fiquei satisfeito com aquilo
Quanto tempo gastei?
Sendo sua morte bem inevitável,
Revelei-me, saindo desta moita;
A verdadeira face apresentei:
Ela expressava fúria.
A borboleta, enfim, continuou
Soltando sons perversos, sons horríveis;
Por momento, hesitei, talvez pensando
Que me subjugaria.
Mas muito habituei-me às suas lamúrias
E percebi-me imune; uma outra flecha
Fiz questão de soltar - findou-se a outra asa.
E ela caiu no chão.
Aproximei-me lento, vagaroso,
Sabendo que não mais escaparia;
Achei-lhe o tão irritante auto-falante;
Outra flecha soltei.
O coração batia, disso sei
E funcionavam seus circuitos vários.
Duas flechas p'ra cada peça dela.
Restava uma somente.
Já rendida, crivada, já humilhada,
Havia, inda, uma certa lucidez;
Aproximei-me dela e peguei-a
Em minha mão cruel.
Podia não falar, mas conseguia
Ouvir-me com clareza e perfeição:
E foi desta maneira que lhe disse:
"Tu não mais cantarás
Se é que isto uma Canção tu consideras
.
Não sabes que atrapalhas todos outros?
E que não te pertence este local?
Tu mereces estar
Entre os vultos mais fracos de umas árvores
Pelo tempo comidas, já morrendo;
Tu mereces estar entre formigas
Frágeis, ambiciosas, revoltadas.
Tu és filha desta Técnica, somente,
Uma cópia imperfeita e bem fajuta.
Incomodas a paz, isto somente
E exaltam-te Imbecis."
Jogando-a no chão, lancei a restante
Flecha, que foi implacável como as outras.
Ela se reduziu à sucata inútil.
Neste momento, vi, lá no horizonte,
A borboleta azul.
Distinta desta falsa,
Ela foi agradecer-me.