A RUA
ALEKSANDER STAJMEVIT
As ruas se acalentam com seus postes
Pois na Noite eles são
Tal qual velas fincadas
Nas lúgubres calçadas.
Sopro gélido cruza
O ambiente repleto de palavras,
Agora dissolutas, sufocadas
Em gargantas; terrífica asfixia...
Mas mesmo com tudo isto, eu continuo.
Minhas pernas mandam-me
P'ra frente sem cessar,
E a Noite se transforma,
Adensando-se a névoa,
Engolindo o restante do local,
E recobrindo a vista do horizonte...
Permanece contido o coração,
Sem derramar-se pela mente e entranhas,
E certo de que estou no lugar certo,
Eu prossigo impassível.
Eu prossigo em silêncio,
E meus passos discretos
São só penas ao chão.
Olhando ao redor, nada fica igual;
Infestam-se os vapores e as neblinas
De novas canções, novos objetivos -
Caberá persegui-los quem quiser;
Eu persigo estes meus,
Sem pressa, sem deixar
Que fuja meu grande ímpeto
Ao modo dos coelhos.
E se porventura algo se alterar,
Não ligo - pois tu vês que o que se altera
Fica, num paradoxo, semelhante.
Lidando com Vontades e Repulsas,
Eu vago no silêncio,
E nos sons também vago,
Certo do que já sei:
Saber que tudo é incerto.