AS FORMIGAS

ALEXANDER STAJMEVIT


Do Mundo em seus assentos de marfim,
Eles mandavam em nós. Dos parapeitos;
E nos arranha-céus - vidro, concreto -,
A vista apreciavam.

Eram tão dedicados aos assuntos
Dos quais dia após dia se ocupavam,
E inda sim, tirar tempo conseguiam
Para ver as formigas.

Alguns tinham construtos, maquinários
Impressionantes. Cabos e as entranhas
Somando-se e tornando-se cipós,
Abençoada a Técnica.

Mas entre este rebanho de formigas,
Ou Colônia, que seja, despotado,
Pareciam haver os escolhidos
Para doce ascenção.

Pois afinal de contas, quem não quer
Ser mais um entre múltiplos os servos,
Quem não quer integrar a servil rede e
E vender Alma por Grãos?

Os sussurros diziam que a formiga
Escolhida sabia resistir;
Não queria ser outra ferramenta,
Não neste formigueiro.

Porém, sabiam bem estes senhores
Que morre um peixe pela própria boca,
E que mesmo a formiga mais humilde
Queria mais que terra.

E abençoai quem mente, quem deseja
Tudo mas isto esconde e diz que nada
Vale mais que trabalho bom, honesto
P'ra nutrir a família.

Abençoai quem fala contra a rede,
Quem quer sabotar cabos, engrenagens,
Enquanto ambiciona ser um deles -
Recrutam-se farsantes.

Abençoai quem quer ocupar cargo
Em elevadas cátedras e postos,
As formigas celebram com orgias
P'ra esquecer que são ínfimas.

Do mundo em seus assentos de marfim,
Esses abençoados por estrelas
E pelas esperanças das formigas
Hão de ser esmagadas; tão pequenos...

Esquecem: são minúsculas e frágeis,
Não podem defender-se de um traseiro
Eclipse de carne e de tecido,
Sob o qual serão mortas.


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