AS RUÍNAS

ALEKSANDER STAJMEVIT


Preciso constatar um simples fato:
Ruínas não despertam-me mais nada.
Quando passo por suas silhuetas,
Só formas quebradiças

Situadas à beira de uma estrada,
Olho com certa pena, mas não tenho
Vontade de observá-las mais de perto;
Daqui a vista já basta.

Afinal, só provaram-se infelizes
Lembretes do passado mais cinzento.
Deste material mesmo estão repletas
Junto ao Mármore, sonhos

Tão transitórios como os próprios dias,
Mesmo que parecessem assim, notáveis
Preciso dizer que isto é enganação
Nada mais que impressões

Da poeira suspensa no ambiente,
Esta revela que algo já existiu,
Mas essas são só provas muito tênues
E de pouca importância.

E quem pode julgar-me por querer
Apenas seguir esta rota incerta
Sem apreciar a vista de tais
Locais tão deprimentes?

Os restos de janelas, de paredes
De portas e de aldravas respectivas,
De flâmulas tingidas com o sangue
Que já coagulou?

Se sob estas confusas copas d'árvores
Alguns Vultos habitam - desespero! -
O que falar então destes castelos
Cujos reis já estão podres?

A casa de ninguém não mesmo implica
Que inexistem presenças curiosas,
Com olhos rebrilhantes, co'apetite
Dos mais insaciáveis.

Existiram em todos os momentos,
E assim prosseguirão, tão inalteráveis
Roendo secos ossos para sempre
À margem da Existência.


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