E MEUS PASSOS DISCRETOS

ALEKSANDER STAJMEVIT


E meus passos discretos
São como baques surdos
Ressoando em caminhos
Nos quais não caminhei;
E as ideias transformam-se em suspense,
De uma existência cheia de perversas
Sombras intercaladas pelas chamas,
Onde nada parece ser o certo,
Onde nada parece ser o que é.
A fé foi, enfim, levada ao sacrifício,
E em altar tristemente
Drenada de seu sangue.
É pálida tal qual
As nuvens que em céus pairam,
Cegantes, luminosas e fugazes,
Prestes a transformarem-se em lembrança.
As rosas já morreram no jardim,
E se apagou na pira o antigo fogo,
Restando apenas eu, sem tais caprichos,
Artífice dançando com a Poeira.
Pois o que fica quando a terra seca
E quando as labaredas extinguidas
Revelam decadência?
E com passos discretos
Não evito ver os fatos,
E não evito mudá-los;
Ó poeira, transforme-se!
Tornando ao altar onde drenaram
Aquilo que se chama de Ideal
(Desta vez surgem baques de meu peito),
Eu faço libação com Fogo e Vinho,
Este recém colhido do submundo,
O outro recém-aceso com o Caos.
Lá na frente, se forma
Uma coisa tão viva,
Tâo cruel e insistente:
Negros portões por onde
A Esperança dardeja com seis flechas.
Sempre ilusão mas nunca uma certeza,
Com tais passos discretos, eu caminho
Até nela chegar, na conclusão,
Deste mutável dia inesperado.


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