O ALVORECER AZUL

ALEKSANDER STAJMEVIT


As pessoas dormiam em suas casas,
Certas do que sabiam, desejavam,
E jaziam bigornas em suas pálpebras.
Debaixo de telhados
Com telhas de fumaça, ponderavam
Se aventurar-se inda era necessário
Se existiam motivos p'ra viver
E provar os amores
Que jamais podem ser descoloridos,
Corroídos assim tão facilmente,
Pois de ferros não são feitos, nem de aço,
E nem mesmo alvas nuvens lhes adornam
Na infinda imensidão deste azul céu.
Para os que procuraram
Dentro de si, incansáveis como sempre,
E para os que sonharam
Com algo que não fosse véu somente,
Com sonho que não seja só a semente
De promessas bonitas que não vingam,
Haveria recompensa p'ra ganhar-se?
Ou queriam engano, responsável
Por tirar-lhes a Estrela e tantas noites,
Ou essas manhãs que invadem por janelas
Vidas tão simplesmente ossos e pedra?
E se as pessoas dormem em suas casas,
Mesmo nesses momentos que são lúgubres,
Será que creem elas no Futuro?
Inda melhor: será que o Alvorecer
Azul alvorecer
Ou alvorecer azul, se preferires,
Vai se concretizar, desafiando
Noites sem sonhos; olhos com bigornas?
Será que não será, assim, corroído?
Que poderá dizer ser algo mais?
Arco-íris depois da tempestade,
Depois que um denso chumbo se alimenta
Das promessas de tudo ser melhor?
Saia de tua casa, então, meu amigo,
E olha para o céu; sentes-te melhor?
Tuas costas não mais doem como antes?
E teu sono não está
Com sonhos mais bonitos do que estava?
Então chama os vizinhos todos teus
Para que também saiam, também vejam;
Pois se mesmo esses cães conseguem ver
Erguendo-se este azul alvorecer
Qual é tua desculpa?
Sei que não tens nenhuma; me acompanha.


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