O CONVITE

ALEKSANDER STAJMEVIT


Vejo torres e luzes pelos cantos,
Acima das cabeças e das casas,
Vejo impérios, negócios vejo; vejo mundos que a nós foram proibidos,
Vejo essa estirpe podre; os novos-deuses...
Vós sobrepairais, vultos lá nos altos
Sobrepairais as massas com seus gestos;
Em cima de palanques, sangrando no topo dos dourados púlpitos,
De vossas bocas sangue,
Escorrendo nas Vidas, o veneno maior entre todos os venenos;
Por isto, minha cara, eu venho aqui e, com discreto convite, lhe ofereço
A possibilidade de livrar-se dessas construções: torres com luzes!
Vamos, dançando em pista coroada com belas estrelas prateadas,
Vamos, desta vez nós, sobrepairar
Esses vilões de injustos corações;
A revolucão em cada um dos momentos deve servir; serve-nos agora!
E, a segurar tua mão
Enfrentaremos tudo!
Pois tudo que persiste inalterado
Será alterado nestas maquinações loucas, mas eficientes...
Em mim sei que não crês,
Mas crês na humanidade, em sua potência, crês na natureza destas almas?
Crês que os corações de antes são tão fortes quanto estes de agora; sempre assim?
Crês que aquilo que jaz em Ti reflete-se com perfeição também em mim?
Crês, minha cara, em Ti? Na tua Vontade que são labaredas de azul Caos?
Crês em mim? Então avante! P'ra romper
Com os casarões e muros protegidos,
Com as vestes de ordeiros recheadas de minérios: pratas, ouros, cobres...
Deixa este Sol brilhar mais que estas luzes
Das infelizes torres,
Das torres de tolices, de fraquezas,
Das torres que com raios estilhaçaremos! Para que se tornem
As casas do amanhã;
Assim! Todos que são insaciáveis,
Todos que estão repletos da Vontade
De viver, desbravar, incendiar holofotes que mais brilhem que aqueles
Oferecidos às hordas dormentes;
Contemplarei a beleza de teus gestos,
Tomarei em minhas mãos a Rosa tua,
Beberei de teu cálice,
Um que, relampejante, há de dar-me
Poder e Vida novas! Poder imbatível, Poder implacável!
Poder este que inflama meus sigilos!


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