O INSTITUTO

ALEKSANDER STAJMEVIT


Eu contemplo a desfeita construção
De um Instituto vil, desmerecido.
Pedra por pedra, está sujo de feitos
Feitos falsos de falsos heróis vários.
Eu contemplo e pondero na quietude.
Não sei quais sentimentos me dominam,
Não sei quais coisas quero para mim;
Eu continuo aqui porque mui anseio
Pela existência mais enloquecida,
Pela força sutil da consciência,
Porque não tenho mesmo outra opção,
Porque fazer não posso perdurar
A elusiva visão de aves fulgentes
Refletida em tais vidros embaçados.
Quantas vezes não ergui meus punhos para
Enfrentar todos eles, os carrascos,
Não como rei mas como só um ladrão
Percorrendo o fulgor cego da Noite;
Quando enfrentarei? Quando?
Quando estarei correto
Pois certamente sei
Que a névoa permanece
Mesmo depois do incêndio.
Eles vendiam para nós o Sonho
Uma compreensão mais ideal,
Quiseram ser o rubro do vitral,
O Sol depois que morre toda luz.
Mas se são Sol bem quando a luz morreu,
Não têm motivo algum para existir.
Eu não canto o conflito
Mas só constato, aflito,
Alguns poucos conceitos importantes...
Instituto, não queres o futuro
Mesmo que assim tu penses, tentes ser,
Queres o que o futuro pode dar-te.
Por que não vês as cartas
Vermelhas sobre a mesa
Iluminadas pela
Silhueta da chama
Por que não vês que as cartas
Apontam para ti
Como mero fenômeno inconstante,
Como um cadáver morto num instante.
Mas até que os portões cerrem-se (é o fim),
Prosseguirás fingindo, sem alarde,
Ser paradoxal e mau palhaço
Com cicuta enfiada na garganta.
Mas a cicuta (disso saibas) mata.


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