OS VULTOS

ALEKSANDER STAJMEVIT


Fiquei quieto na estrada e Circunstâncias
Forçaram-me a pensar e não dizer....

Mas agora, preciso realizar
Uma observação muito cruel:
E nervoso não estou, pois só dirijo-a
A esses que já são Vultos.

Vocês procuram Luz, desesperados.
Mas mesmo que a consigam, serão ainda
Aquilo que antes eram: Vultos. Vultos
Abrigando-se em copas

Dessas árvores cujas muitas folhas
Dispõem-se em padrões mais assimétricos
Do que suas coetâneas na floresta,
Sob elas, camuflam-se

Vocês, como faziam antes mesmo
De eu lhes ter percebido esta existência,
Pois o Sol incidiu; não conseguiram
Passar despercebidos.

Esta estrada de terra vira pedra
E os corações também que esta percorrem;
A palavra se torna mais cirúrgica
E menos hiperbólica.

Atrás de um par de óculos, eu vejo
Tal qual cirurgião, talvez cientista
Efeitos curiosos provocados
Por meus experimentos.

Vultos reagem tanto em quanto tempo?
Eles talvez ataquem ao privá-los
Do contato das árvores nas quais
Escondiam-se, tolos?

Substâncias injeto sem problema
No corpo desses Vultos; quero ver
E mais até que ver, quero anotar
Todas as reações.

Todo Progresso está tingido em sangue.
Olhos atrás de lentes veem pasmos
Enquanto se retorcem esses Vultos;
A Dor deles não sinto.

As silhuetas tornam-se translúcidas
Conforme continuo. Não são humanas
E agora que as feri, estão bem mais próximas
De um Pensamento vago.

Assim elas percebem que se Luz
Injetada lhes for, como antes era
Existirão p'ra sempre; então precisam
Da Sombra absoluta

E esta jamais hesito em fazer uso.


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