A TOCHA AURIFLAMANTE

ALEXANDER STAJMEVIT


À "tocha auriflamante da Alvorada":
Meu desprezo sincero - é isto que digo.
Esta tocha tem brilho diminuto
Como o de um vaga-lume
Ouso dizer que até este brilha mais
E pode-se notar sua presença
Em fria madrugada em que estas chuvas
Cessaram de verter; para trás deixam
Sobre esta tênue relva, algumas gotas
Diferentes do orvalho.
O vaga-lume importa muito mais
Pois não é nada pomposo e exagerado,
Repleto desses Vultos - as cobaias
De meus experimentos.
Apago esta tal tocha não porque
Posso bater sua ponta até rachar
Ou talvez atirá-la neste lago
De azuis águas quietas.
Quem dera fosse o caso - porém falo
Do que nunca se pode, então, tocar-se
E descontar os ódios putrefatos,
Recorda o piche - é cólera
Que passou por estágios, decompôs-se,
E mesmo assim não está menos presente,
É quase como um prego que arder faz
O Espírito e esta Carne.
E auriflamante somos quando a cólera
Devora-nos por dentro; porém nós
Estamos satisfeitos em poder
Deixá-la livremente
Infectar as veias deste corpo.
Úmidas como a terra, elas nos mostram
Ao que submetemo-nos alegres
No decurso de três anos perversos.
A tocha se apagou;
Tu dizes que fui quem foi responsável,
Mas nego: simplesmente expus aos outros
Que as cinzas já espalharam-se no solo
E como este Ódio fedem.
Tornar auriflamante, especial
Adornar co'incomum adjetivo
É de pouco valor, valor de fato,
E explicita detalhe:
Esta tocha jamais esteve acesa
E se brilhou, não brilha mais há tempos.


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