ALEXANDER STAJMEVIT


NOME VERDADEIRO: ALEXANDER STAJMEVIT

IDADE: 17 ANOS

ALTURA: 173cm

COR DO CABELO: CASTANHO

COR DOS OLHOS: VERDE

LOCALIZAÇÃO ATUAL: [RETIRADA POR RAZÔES DE SEGURANÇA]

ANIVERSÁRIO: 01/07

UMA BREVE APRESENTAÇÃO EM VERSOS


Não sei se gostaria de explicar-me
Ou de dizer quem sou. Porém, requer-se,
De modo que preciso, enfim, fazê-lo.
Então vamos; eu miro a brevidade.

Posso ser engraçado ou muito lúgubre,
Posso andar por ruínas em silêncio,
Posso ser conformado externamente,
Enquanto o Coração repete: Não!

Talvez eu mais prefira ser como água
Adaptável aos recipientes,
Capaz de saciar ou de matar,
De edificar - ou, claro, destruir.

Só frequento uma Igreja - a do Underdog,
Termo para aparentes perdedores,
Que, no entanto, conseguem vencer sempre.
Esta Igreja norteia este meu Símbolo,
E, bem além de imagens,
Cifrados nos fonemas e em palavras,
As portas delicadas
Conduzem às Magias esquecidas
Das quais apraz lembrar-me
Pois lembro-me de tudo
Que jaz além de tudo conhecido.


NAS PALAVRAS DO PRÓPRIO


Confesso-lhes sem problema algum que meu poema me faz parecer mais depressivo, místico e profundo do que de fato sou — faz parte, acho. Por outro lado, difiro bastante de Paragon e Martins Rex nesse aspecto, já que não considero aquilo que escrevo uma reflexão da minha personalidade ou do meu ser. Enfatiza e revela certos aspectos meus, sim, mas não se trata de confissão indubitável ou qualquer coisa do tipo; afinal de contas, não sou alguém que aprecia esta proximidade com a produção artística, nem sequer creio nela e em sua aparente capacidade de revelar completamente as vicissitudes do criador. E esta regra vale para tudo, até para poema cuja função é justamente apresentar traços de comportamento recorrentes (ou seja, mesmo quando a intenção é de fato revelar, sem ambiguidades possíveis, nota-se aí algum tipo de falha, um que não deriva necessariamente do desleixo). Pois aquilo que criamos é uma coisa, aquilo que somos é outra, embora alguns gostem de fazer parecer que tais conceitos possuem relações inerentes e que, se você nega isso, incorre num erro grotesco.

Eu sei que isso não tem a ver diretamente comigo, mas não considero que esteja divagando (divagarei em algum momento para você ver o que de fato é uma divagação). São opiniões; e opiniões, diferente de poemas ou demais produções artísticas/literárias, refletem com maior acurácia quem somos ou quem pensamos ser — outra opinião minha, aliás. Talvez eu esteja escrevendo tudo isso porque sei que não há muito o que falar além do mais óbvio; não sei se você chegou a ler, mas já discorri nas Proposições sobre parte dos eventos que me levaram até aqui e creio que já estejam mais ou menos estabelecidos os aparentes sustentáculos de minha personalidade. Além disso, por conta de uma série de outros fatores, penso que certos detalhes mais cruciais devem permanecer nebulosos, seja para algum desenvolvimento posterior ou porque eles correm o risco de me tornar reconhecível aos olhos de certas organizações indesejáveis.

E tudo que eu menos preciso agora é algum outro tipo de problema.

Porém, algo depõe contra minha intenção de permanecer anônimo e indistinto na multidão, e isso é justamente o fato de que, se eu não escrever mais sobre mim, serei aquele entre os três (ou quatro, contando o Curador, embora eu não saiba se ele mesmo se conte como um dos autores) com o texto de apresentação mais curto; ou seja, o mais preguiçoso entre eles — ou talvez o menos prolixo, a depender dos seus gostos e das suas percepções particulares. No entanto, me considero alguém mais maximalista do que minimalista, então falar pouco não é uma intenção minha; quero falar em grandes quantidades, escrever em grandes quantidades, embora seja mais possível que eu escreva somente em médias quantidades, se tanto: não sou dos mais pacientes para extender algo muito além do tamanho que deveria ter (que seria qual?, você se pergunta, e já digo que não sei lhe dizer ao certo).

Eis aí a primeira das coisas, uma que está implícita no poema acima: sou contraditório, muito mais que Paragon ou Martins Rex. A razão é simples: esses dois possuem sistemas filosóficos ou meramente morais (ou qualquer que seja a classificação que se queira dar) realmente rígidos; acreditam em coisas e seguem essas coisas de modo obsessivo, mutilando-se metaforicamente para que consigam melhor enquadrar-se dentro dos limites daquilo em que creem. Eu, por outro lado, sou sujeito de tipo exatamente oposto: sim, sim, “adaptar-me como a água”, moldando-se ao recipiente, mas isso é mais sobre estar aberto às diferentes situações que se apresentam e menos a servir implacavelmente crenças fixas. E essa é a diferença, pois não tenho crenças fixas; não tenho, não sigo e não acredito em sistemas de ideias tecidos com rigidez e coerência implacáveis. Daí, a contradição emerge como um desenvolvimento natural; conceitos, gostos ou atividades que outros pensariam ser incompatíveis não o são em minha acepção particular.

Claro; eu ainda não disse o que isso significa em termos práticos. Vou, então, dar alguns exemplos concretos: num dado dia, você pode me ver usando roupas excessivamente formais, enquanto em outro me verá vestido do modo mais despojado existente; num dado dia, poderei me comunicar com seriedade e eloquência, enquanto em outro eu falarei do modo mais esdrúxulo concebível, lançando palavrões e toda sorte de impropérios. No entanto, essas mudanças não são abruptas; não é como se, de uma hora para outra, eu perca minha paciência e decida que tudo precisa mudar. Isso se relaciona com a metáfora anterior da água — mudanças são necessárias se quisermos nos sair melhor em certas provações, enquanto que ser demasiadamente rígido nos quebraria.

Pode parecer que um andarilho e um sujeito inteiramente metafísico também compartilhem desses princípios, mas... bem, esse está longe de ser o caso. Óbvio, isso não significa que eu tenha animosidade contra algum deles — ou contra ambos, já que não sou de poupar farpas —, pois não é o caso; apenas me acho o mais correto na situação, oras. Vamos colocar as coisas em perspectiva: numa situação que nos tirasse de nossas respectivas zonas de conforto, qual de nós teria maiores chances de ter sucesso? Aqueles que se limitam em domos estreitos ou aqueles a quem toda zona é uma possível zona de conforto?

Existem outros traços de personalidade explicitados (ou implicitados, talvez) no poema; então, falarei de um deles, que é justamente o fato de eu me considerar um underdog. Sim, sim, sei que é bem estranho o fato de não termos uma palavra em português para designar esse conceito; então, apesar de eu ser geralmente contra estrangeirismos — como falei, contradições —, ele designa muito bem quem o que eu sinto que se passa em minha vida. Eu não era partidário ferrenho (ou sequer partidário, para começo de conversa) da ideia de que o mundo era injusto comigo, e sei, ainda hoje, que ele pega muito mais pesado com certas pessoas. Por outro lado, não vou fechar meus olhos para injustiças latentes: se tanto, esse inferno promovido pelo estado a que se chama Ensino Médio me ensinou — aha! — uma série de lições sobre a vida, sendo a principal delas a de que a vida é injusta.

Por outro lado, eu não estou nem aí. A vida pode ser injusta, mas quem diz coisa dessas também o é, pois induz as pessoas a terem sempre as piores atitudes em relação a... bom, a tudo. Como já falei, isso não é de meu feitio; claro, não que eu seja necessariamente otimista, mas também não sou necessariamente pessimista. Quando escrevo nos poemas que posso me conformar externamente — e não, Martins Rex não se parece comigo nesse aspecto — mas internamente me revolto, é porque é verdade. Talvez a única coisa minha que não mude é o fato de que tendo a ser inconformado, embora não do tipo que se debate contra as circunstâncias, que grita aos quatro cantos ou que se debulha em lágrimas. Na verdade, apenas tento tirar o melhor proveito delas; e dentro do possível, com as ferramentas que possuo, é isto que faço.

Além disso, é verdade que eu seja um mago; embora, para ser sincero, talvez o termo “bruxo” seja mais apropriado (apenas gosto mais dele; o fato de eu estar cronicamente on-line carrega o primeiro termo com significados indesejáveis, se é que você me entende). O que ocorre é que a descoberta de Aldernea, ao menos do meu mundo, passa diretamente pelo fato de que eu a descobri através de minha Vontade, uma disfarçada sob a fachada da mera persistência e do satisfatório acaso. No momento em que percebi isso, percebi o que era feito sem que eu percebesse — redundância proposital —, embora eu não seja bitolado nessas coisas.

É isso. Vamos pensar... ora, o motivo pelo qual gosto de me contrapor tanto assim aos outros dois Autores é precisamente porque não tenho uma personalidade no sentido estrito. Hobbies? Tirando escrever, que é um que se mantém razoavelmente constante, posso ter quaisquer que sejam, excetuando talvez jardinagem; feitos importantes? Nisto vou ser mais vago que Paragon; quem sabe num momento posterior.

Acho que restou eu explicar um pouco sobre meu símbolo, talvez. Nele, há um cachorro de cujas costas sai a letra U, que alude novamente ao conceito de underdog. Dentro da depressão dessa letra, vê-se uma cruz invertida, tanto uma forma de incomodar os mais sensíveis e fanáticos quanto forma de aludir ao conceito de “Igreja”. Claro, eu não me consideraria parte de uma seita, não é sobre isso que estou falando; é mais no sentido ideal, se é que você me entende.

A única coisa da qual posso certamente me orgulhar e certamente concluir, ao menos nesse momento, é o fato de que excedi os outros autores. Sinto-me excelente, mesmo.