Amanhã é dia de eleição, disso todo mundo sabe. Eu não pretendia falar nada mais explícito a esse respeito já que já deixei o meu posicionamento político evidente, mas, nesse momento, me sinto compelido a fazê-lo por conta da raiva que estou sentindo. Um CRIMINOSO, um MILICIANO DE MERDA, um sujeito que defendeu por livre e espontânea vontade o assassino de uma criança, se sentiu confortável pra não só zombar do fato de que Lula não estava ouvindo direito (pasme, um senhor de 80 anos!), mas também pra chamar ele de "nove dedos", como se ter perdido uma parte do corpo por causa de um acidente de trabalho fosse algum tipo de demérito, como se isso o tornasse menos. A minha linha de raciocínio pode parecer irrazoável, mas peço que me acompanhe por um tempo. Além de isso mostrar que ele não tem o menor respeito por quem sofreu algum tipo de acidente e lida com condições e ferimentos colaterais, mostra também que ele despreza qualquer PCD -- o que se explicita, e faço questão de repetir, no fato de ele ter zombado da audição de um IDOSO. Você teve que amputar algum membro do seu corpo? Você é menos. Você sofre de algum tipo de atrofia muscular e não consegue se locomover sem o auxílio de, digamos, muletas? Você é menos. Você sofreu queimaduras severas e carrega as cicatrizes? Você é menos. Você é neurodivergente? Você é menos. Você é idoso? Você é menos. "Ain, mas ele falou isso porque o Lula é o adversário político dele..." FODA-SE. Isso apenas mostrou que ele não se importaria em usar qualquer fator extrínseco à política pra atacar alguém. Se o Lula não tivesse uma perna, ele falaria disso; se o Lula fosse autista, ele falaria disso; se o Lula não tivesse um olho, ele falaria disso. Em outras palavras, temos um candidato que despreza uma parcela enorme da população por fatores que, além de já gerarem per se uma série de desafios diários, muitas vezes estão além da vontade individual. Ser um miliciano e picareta é uma escolha; ter alguma doença ou deficiência ou característica tida como feia ou indesejável aos olhos da sociedade, não. E não escrevo isso com qualquer pretensão literária; na verdade, só queria mostrar o tipo asqueroso de sujeito que alguns insistem em considerar um possível presidente apenas porque "muuuuu, não gosto do PT, muuuuuu". Antes de tudo isso, eu tinha alguma simpatia pelo Lula como líder popular, mas não dava a mínima pro partido dele. De qualquer forma, eu acho que algumas questões transcendem a mera barreira ideológica, e acho que é elas que devemos considerar na hora de fazer nossas escolhas eleitorais. Por isso, pondere bastante sobre em quem votar. Há bem mais em jogo do que parece. E, se aquele lixo vencer, talvez nem sequer tenhamos outras eleições; Flávio Bolsonaro vai ser um Hitler em matéria ideológica e um Duvalier em matéria de competência político-administrativa e tolerância com os opositores.