ZERO
ALEXANDER STAJMEVIT
Num caminho de dores esquecidas
Postas ao chão - são corpos desovados
Daqueles que buscaram e buscaram
Mas tombaram bem antes de alcançar
O paraíso dúbio, um paraíso
Que visava opor-se aos céus suspensos
E mutilar um Sol de Impiedades,
E produzir em si fresco Sentido.
O quanto tu tentaste
Nada significa
Se não fores capaz
De subir os pináculos
E declamar vitória, impassível
Contra falsos amigos, falsos deuses,
Contra aqueles que portam plúmbeas cruzes
E esmagam-se co'o Peso do que portam
Em perdida cruzada, na qual erram
Primeiro como errantes, e depois
Como quem, também, vezes mil repete
Tolos comportamentos; são prisões.
Ousam esses sujeitos,
Não mais que insanos sóis,
Dar-nos uma respota
Tão superficial
Após nós retalharmos nossos âmagos?
E acham que isso nos basta, realmente?
Pois tornam-se, depois, indiferentes
E o que nos resta? Nós, os sem-segredos?
Nós, sem substância,
Nós, meros refletores
Desse suposto brilho que eles têm?
Plenos os meus pulmões, eu gritarei:
CHEGA! eles não merecem
Ter isto que possuem; são insinceros
E nem tudo que brilha é valioso,
E nem tudo que ofusca é um Sol de fato.
Afirmações carentes de sentido
Não mais bastar-me-ão,
Meras futilidades e tolices.
Não saciar-me-á senão a Grandeza!
E não nutrir-me-á senão a Potência,
Conceitos que bem sei que te repelem.
Afasta-te de mim, voraz Serpente,
Afasta-te de mim com tua Cruz:
Esta carga é restrita às costas tuas.