VI

FRATER PARAGON


E sei que és perseguido onde tu fores
Por esta plebe plúmbea e incorrigível,
Simplesmente porque queres a Torre
Onde dormem os tomos do Impossível...

Pois a Torre é so o topo, é só o Pináculo
De um mundo subtil - se desconhece
Quais são seus buscadores, sustentáculos,
E a Memória - a entrada! - se arrefece...

Mas ousas tu bater neste teu peito
Com um brasão dourado, e prosseguir
Impassível à Plebe e ao desrespeito
E encarnando a Lembrança a ressurgir!

E em voraz e sombrio Submundo,
Onde jazem os captores da tua Joia,
Tu não temes descer; do fosso imundo
Trarás inalterada a antiga Glória!

Ó Raposa dos planos a se verem!
Da Peregrinação sem um Destino...
Mesmo se todos outros escolherem
O opaco, tu tens fogo matutino!

Afinal, nunca mesmo te importaste
Com o que desejavam os demais,
E se para eles triste Chumbo baste,
Pouco importa, pois ficam para trás;

Já tu, a vestir sandálias de Vento,
Galga e galgarás, com passos velozes,
O Descontentamento - que é nojento! -
Calando polifônicas as vozes...

És a Ladra primorosa de Primórdios,
De tudo que é Sagrado e Numinoso,
Rebates, sagaz, todos esses Ódios
Que tentam arrastar-te para o Poço!

E na estrada de Terra, achaste, então,
A tentadora imagem do Punhal,
Mas tua arma já basta - é um Clarão
Agudo, ímpar, total, descomunal...

Mas tu podes levá-lo; a precaução
Faz-se tão necessária quanto andar,
Pela frente, promove a ofuscação,
E pelas costas logra golpear!

Pois não ganhas na força bruta e louca,
Mas na Força e constância da Esperteza,
Toda Esperteza sempre é muito pouca
E isto bem nos ensina a Natureza...

Por isso, caso tu aches uma Presa,
Que é Predador também (tirar-te tenta
Da pretendida Rota) usa a destreza
E gesta a Morte em pútrida placenta...

Mesmo assim, tu mereces honrarias
Por esta necessária Coragem,
Poucos fariam isto que farias -
Mesmo já sendo rubra tua pelagem.


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