VII
FRATER PARAGON
Mas ousas tu bater neste teu peito
Porque Ousar é teu nome; é desejar
Muito mais que este ou aquele simples feito,
E nem mesmo o Céu cessas de visar...
A Torre já surgiu do Submundo,
Ergue-se como monte no Horizonte...
Tenha-a e tu terás todo este Mundo
Onde a Cintilação maior se esconde...
Não vês mais vilarejos espalhados!
Ou cultistas almejando sabortar-te,
Sentes-te mais liberto e agraciado,
Como safiras fulgem esta tua Arte!
O teu punhal usaste algumas vezes
Sempre para a defesa dos demais,
Ou para rejeitar alguns burgueses
Os quais arcaram com cortes, metais...
Mas não tens preferência por tais atos!
Uma Rosa no Intelecto está viva,
As pétalas convertem-se nos rastros
Da Poesia, a qual comove e agita...
Essa Rosa perturba Ervas-Daninhas...
As quais pesavam pútridas em tua Alma,
Eram como prisões, anelos, linhas
Toldando teu prazer, teu gozo e calma...
Mas agora tu brincas co's insanos!
Usas bem mais que a máscara vulpina,
Podes ser menestrel que nós amamos
Incentivando a Graça alta e divina...
A Torre está em frente, com portões
De ferros que recordam fardos, ossos,
Não cederam nem mesmo co'explosões,
Com espadas, com lanças, co'outros troços...
Tens de fazer milagres, mas consegues!
És entre os mortais sábio enganador,
Quando pensam que paras, não prossegues,
Tuas soluções causam asco e horror,
Mas isto não por seres vil, grotesca,
És graciosa - Vento de mil mares,
É porque as soluções tuas são frescas
E sobrepairam outros os cantares...
Então tu criaste asas imponentes,
Para encontrar as falhas nos vitrais,
Esquece o que te dizem as vertentes
Que terias de ter esforço mais!
Sorri mais uma vez, olha o Futuro -
Bebe o Vinho, inflama a tua Ideia,
Não conheces barreiras, fortes, muros -
Não respeitas excessiva a Matéria.